Agora estou indo
para um lugar desconhecido
parti de um porto fantasma
de onde não se via mágoa
Agora estou indo
sem rumo e sem medo
passei por um ilha,
que de longe via-se fruto negro
Agora estou indo
e não mais cheguei
o sol brilhava forte
e de noite descansei
Agora estou indo
vi uma luz no céu
pensei que fosse deus
que viera me salvar
Agora estou indo
com fome e com frio
pois a noite passou
choveu e me molhou
Agora cheguei
num lugar desconhecido
aonde fui parar?
Melhor eu ir pescar
Agora cheguei
observando o balanço do mar
notei que haviam baleias
e gaivotas a voar
Agora cheguei
fui vasculhar o lugar
que bela decepção
não haviam pessoas no novo lar
Agora cheguei
mas por surpresa minha
um bote encontrei
reuni suprimentos e lancei-me ao mar
Agora estou partindo...
(A primeira poesia que fiz em meados de 1999 - oitava série. =)
domingo, 28 de junho de 2015
quinta-feira, 3 de abril de 2014
O Violinista que fazia Chover...
Era início da noite quando as buzinas do farol me traziam para a realidade novamente. Segundos antes, eu estava imerso em pensamentos que remetiam aos rostos conhecidos da minha infância. Todos alegres, sentados à mesa e cheios de vida ainda que em preto, branco e sangue.
A única cor que eu conseguia distinguir das demais era o vermelho intenso dos lábios da minha mãe ou quando minha irmã mais nova colocava seu vestido predileto rendado. Esses mesmo rostos desaparecem da minha mente, à medida que os pensamentos se aproximam do dia em que tudo ficou vermelho...
Uma gota de chuva escorre pelo para-brisa do táxi que eu havia pegado e agradeço o chamado das buzinas pra realidade. O carro arranca pegando a rua principal e minha mão esquerda começa a tremer diante da ansiedade, pois hoje era a noite da minha grande estreia como solista da filarmônica local. Dava algumas notas de dolares para o motorista pela corrida, eu sabia que eram verde, mas que para mim não passavam de tons sortidos de cinza.
Eu batia a porta trazendo o case do meu violino na mão direita e agora meus olhos fitavam a chamada no letreiro do teatro, onde destacavam o meu nome. Um largo sorriso de satisfação brota em minha face pela confiança depositada.
Ainda não havia entendido porque eu via o mundo daquela forma, os médicos não me davam uma explicação plausível e só a música me trazia conforto, talvez fosse a única forma de ver o mundo, mas será que era assim mesmo?
Passei pelos seguranças que abriam a porta do teatro e pude espiar a quantidade de pessoas na casa, lotada. Percorro a antessala até os bastidores, ouvindo boa sorte aqui ou um incentivo de um companheiro de orquestra ali.
As cortinas vermelhas estavam fechadas, o barulho dos ouvintes ia cessando ao tempo que o anfitrião lá fora pedia silêncio e meu coração já se encontrava acelerado. Abri o case removendo o instrumento que reluzia em prata e onde detalhes art déco emoldurava seu corpo. Suspirei caminhando até uma cadeira, onde estava iluminada solitariamente e lá se encontrava as partituras da apresentação de hoje.
Sento-me acomodando o violino adequadamente sobre o braço esquerdo, pego o arco e o coloco delicadamente sobre as cordas, reparo que as folhas estão trocadas e as movo. O vermelho sangue das cortinas já não me incomoda mais e as notas acabam por escapar entre meus dedos ágeis.*- (Prelúdio tocado: Bach - Prelude Suite nº1 with Violin.)
Meus olhos se fecham, vamos lá você ainda lembra as notas, continue tocando. Nesse momento a mágica acontecia lentamente, meus olhos se abriam e o mundo que antes era em tons de cinza e vermelho começava a ganhar vida.
Gradativamente as cores vinham em suas cores primárias, onde os cinza anteriores morriam. Posteriormente, as cores secundárias apareciam de mãos dadas as suas complementares, ao fim eu vislumbrava todos os espectros da luz e isso me deixava vivo.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
O Reles Palhaço
Acho que nada, nada mais que valha a pena,
Pois não adianta o que você faça sempre estará lá.
O esforço que vc emprega para tentar construir algo,
sempre há um vento sutil pra colocar tudo abaixo...
Sempre acontece alguma coisa que lhe furta o sorriso,
no lado oposto o tempo parece rir da sua cara.
Sempre tem alguém pra lhe apontar o dedo,
falando dos defeitos, como se eles o definissem...
Quando não são os dedos apontados sobre ti,
são os murros que vêm de sabe-se lá de onde.
Isso te faz cegar pra determinadas coisas,
começa a não ver mais as coisas com olhos inocentes...
Mas você vê os rostos sem faces das pessoas
ou apenas está vendo a si mesmo nelas.?!
Ser humano é uma droga, pareço um parvo diante da realeza,
que mutila seu ego apenas pra não virar comida dos leões!
Tenho que fazer isso parar, apenas parar
uma releitura do Rei Midas, ao invés de ouro, cinzas
A angústia silenciosa instala-se em teus ouvidos,
sussurando merdas e mais merdas para serem feitas...
O medo nesse caso torna-se determinista,
uma defesa ou uma bela ofensa, ainda bem!
Pois cada um escolhe seus tormentos,
e cultiva suas rosas de espinhos...
Pois não adianta o que você faça sempre estará lá.
O esforço que vc emprega para tentar construir algo,
sempre há um vento sutil pra colocar tudo abaixo...
Sempre acontece alguma coisa que lhe furta o sorriso,
no lado oposto o tempo parece rir da sua cara.
Sempre tem alguém pra lhe apontar o dedo,
falando dos defeitos, como se eles o definissem...
Quando não são os dedos apontados sobre ti,
são os murros que vêm de sabe-se lá de onde.
Isso te faz cegar pra determinadas coisas,
começa a não ver mais as coisas com olhos inocentes...
Mas você vê os rostos sem faces das pessoas
ou apenas está vendo a si mesmo nelas.?!
Ser humano é uma droga, pareço um parvo diante da realeza,
que mutila seu ego apenas pra não virar comida dos leões!
Tenho que fazer isso parar, apenas parar
uma releitura do Rei Midas, ao invés de ouro, cinzas
A angústia silenciosa instala-se em teus ouvidos,
sussurando merdas e mais merdas para serem feitas...
O medo nesse caso torna-se determinista,
uma defesa ou uma bela ofensa, ainda bem!
Pois cada um escolhe seus tormentos,
e cultiva suas rosas de espinhos...
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Retroverso (É Pleonasmo)
Perceba a tríade...
Corpo, Alma e Mente
Mente, Corpo e Alma
Alma, Mente e Corpo
Assim está melhor...
Vitimando Corpo inocente com a impureza do mundo.
Limpando a prova do crime na obscuridade da Alma.
Esperando funestamente a próxima Mente subjugada.
Agora ria...
Hannibal Lecter
Zumbi de Filme Trash
ou "aquela" Vedete
Corpo, Alma e Mente
Mente, Corpo e Alma
Alma, Mente e Corpo
Assim está melhor...
Vitimando Corpo inocente com a impureza do mundo.
Limpando a prova do crime na obscuridade da Alma.
Esperando funestamente a próxima Mente subjugada.
Agora ria...
Hannibal Lecter
Zumbi de Filme Trash
ou "aquela" Vedete
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Palavras Mortas e Sus-surradas
Olho pros teus olhos e eles não me dizem nada
cadê aquela vivacidade de outrora, de sonhos sadios?
Os gestos simples que nos faziam cúmplices e vadios
foi o tempo que eles me diziam algo, um bom tempo
Olho pros teus ouvidos e eles não me escutam por nada
grite, xingue, esperneie, sempre "h-ouve" a chance!
Porra vai ler, vai vendo.. .Ainda quer que eu dance?
meu ovo, o som não podia faltar, esperando, surtando
Olho pro teu nariz e ele não me cheira a nada
podre, nhaca e o costumeiro azedinho não podiam faltar
Delicado aroma, para as mancadas quão logo se tratar!
narinas a soltar fogo pelas ventas, sem culpa
Olho pra tua boca e ela não me remete a nada
onde foi parar aquele sorriso encantador?
Vômito que se fez florescer, beije a flor
tardiamente me fazia querer mais e não é mais
Olho pro teu pescoço e ele não me permite nada
só o leve encostar de lábios, a "conchinha" de cá
Ah propósito, só pra sussurrar os trejeitos de lá?
fico satisfeito, por ter cumprido o meu papel
Olho pros teus braços e eles não me servem de nada
lembro-me do tapa de antes, aquele que selou o fim
Depois se for ver, passou e não restou nada de mim?
às vezes nem eu entendo, mãos frias por acalento
Olho pra tua cintura ela não me agrada em nada
irregular é este seu gingado quadrado, por todo o salão
A coluna a fraquejar e antes deixar um rastro no chão
minha mão em suas costas, ao mero requebrar
Olho pras tuas pernas e elas não me guiam a nada
Nada? É o vigor das coxas, o nada é o quase de repente
Assim me chuta como um comum, tão singelo indigente
Corre-se atrás de ideais e passamos a eterniza-los!
Pois é, isso que me interessa é a mente afiada,
sem blás blás blás, Cláudia Raia
e Wiska Sachê.
cadê aquela vivacidade de outrora, de sonhos sadios?
Os gestos simples que nos faziam cúmplices e vadios
foi o tempo que eles me diziam algo, um bom tempo
Olho pros teus ouvidos e eles não me escutam por nada
grite, xingue, esperneie, sempre "h-ouve" a chance!
Porra vai ler, vai vendo.. .Ainda quer que eu dance?
meu ovo, o som não podia faltar, esperando, surtando
Olho pro teu nariz e ele não me cheira a nada
podre, nhaca e o costumeiro azedinho não podiam faltar
Delicado aroma, para as mancadas quão logo se tratar!
narinas a soltar fogo pelas ventas, sem culpa
Olho pra tua boca e ela não me remete a nada
onde foi parar aquele sorriso encantador?
Vômito que se fez florescer, beije a flor
tardiamente me fazia querer mais e não é mais
Olho pro teu pescoço e ele não me permite nada
só o leve encostar de lábios, a "conchinha" de cá
Ah propósito, só pra sussurrar os trejeitos de lá?
fico satisfeito, por ter cumprido o meu papel
Olho pros teus braços e eles não me servem de nada
lembro-me do tapa de antes, aquele que selou o fim
Depois se for ver, passou e não restou nada de mim?
às vezes nem eu entendo, mãos frias por acalento
Olho pra tua cintura ela não me agrada em nada
irregular é este seu gingado quadrado, por todo o salão
A coluna a fraquejar e antes deixar um rastro no chão
minha mão em suas costas, ao mero requebrar
Olho pras tuas pernas e elas não me guiam a nada
Nada? É o vigor das coxas, o nada é o quase de repente
Assim me chuta como um comum, tão singelo indigente
Corre-se atrás de ideais e passamos a eterniza-los!
Pois é, isso que me interessa é a mente afiada,
sem blás blás blás, Cláudia Raia
e Wiska Sachê.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Lá se foi o Vento
Ele anuncia a chegada da chuva
vento que faz nascer as marolas
Que afaga nossos cabelos
vento que leva as sementes
Ele que traz o perfume das flores
vento que ameniza o calor da face
Que move moinhos e cataventos
vento que às vezes pode ser fúria
Pois sem ele, resta o ar
ar invisível pouco poluído
Que propaga som e ruído
e faz o cego se encontrar.
Ah e lá se vai o Vento!!!
vento que faz nascer as marolas
Que afaga nossos cabelos
vento que leva as sementes
Ele que traz o perfume das flores
vento que ameniza o calor da face
Que move moinhos e cataventos
vento que às vezes pode ser fúria
Pois sem ele, resta o ar
ar invisível pouco poluído
Que propaga som e ruído
e faz o cego se encontrar.
Ah e lá se vai o Vento!!!
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Tons de Cinza e Pó
Chuva de Nanquim banhe-nos com seus devaneios,
caricature seus contrastes em nossas almas
Faça-nos chover em alegrias esferográficas,
mesmo quando pareça submersa em tristeza apagada.
Alinhe suas diagonais sobre as justaposições,
seja pura com os círculos sobre o papel
Porém não geometrize os sentimentos,
seja quão mais instintiva possa ser.
Voe não deixando que apaguem tuas asas,
com uma mera borracha, tampouco um liquidpaper
Recorte e cole os amigos antigos onde puder,
mas nunca se esqueça dos novos presos em tachinhas.
Escolha pincéis finos para o ódio ser passageiro,
cerdas grossas para algo durador, caso ame
Deixe as perspectivas atingirem o horizonte,
que os pontos de fuga sumam de vista, sempre libertos.
Vislumbre o quão forte são as cores nesse verso,
sentindo o fluxo da luz em meio ao prisma
Não se deixe enganar por meros reflexos vãos,
você entenderá que não existe escuridão...
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